O cotidiano invisível na obra de Adam Magyar

  • Victa de Carvalho Pereira da Silva Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil
Palavras-chave: Fotografia. Cotidiano. Tempo. Experiência

Resumo

No contexto mais recente das miscigenações entre a fotografia, o cinema e o vídeo, as propostas do artista húngaro Adam Magyar voltam-se para o que o artista chama de tempo perdido do cotidiano urbano, este muitas vezes ocultado pelas velocidades e fluxos da vida nas grandes cidades. A partir das séries Urban Flow (2006-2013) e Stainless (2011-2015), este artigo pretende observar as temporalidades emergentes apreendidas através de tecnologias híbridas de captura de imagens, com o objetivo de refletir sobre as múltiplas formas de experimentar o tempo através das imagens do cotidiano na atualidade. O tempo perdido moderno torna-se, no trabalho de Magyar, um tempo paradoxal no qual a imagem deixa de ser o rastro de um espaço percorrido para tornar-se ela mesma expressão do tempo.

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Biografia do Autor

Victa de Carvalho Pereira da Silva, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil

Doutora pelo Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro, com estágio de pesquisa na Université Paris1: Sorbonne, Paris, França. Professora Associada da Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro, onde é também professora e vice-coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura da Escola de Comunicação da UFRJ. É integrante o grupo de pesquisa N-imagem e vice-coordenadora do grupo de pesquisa Fotografia, Imagem e Pensamento (CNPq).

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Publicado
28-06-2020
Como Citar
de Carvalho Pereira da Silva, V. (2020). O cotidiano invisível na obra de Adam Magyar. E-Compós, 23. https://doi.org/10.30962/ec.1921
Seção
Artigos Originais