O Discurso Desinformativo sobre a Cura do COVID-19 no Twitter

Estudo de caso

  • Raquel Recuero Universidade Federal de Pelotas, Pelotas, Rio Grande do Sul, Brasil
  • Felipe Soares Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil
Palavras-chave: desinformação, discurso, twitter, coronavírus

Resumo

O presente artigo analisa como se deu a circulação de desinformação a respeito de uma possível “cura” para o coronavírus no Twitter brasileiro em um período de dez dias de março de 2020. Seu foco é na discussão (1) dos modos através dos quais os discursos relacionados à desinformação sobre supostas curas da pandemia foram espalhados, (2) os diferentes tipos de discurso desinformativo e sua prevalência e (3) os modos de disputa contra os discursos que desmentem a desinformação. Através de um estudo de métodos mistos, com análise de conteúdo e análise de redes sociais de 57.295 mil tweets, observamos (1) o alinhamento do discurso da desinformação com o discurso político de apoio ao presidente da República, Jair Bolsonaro;  (2) no espalhamento da desinformação associado à ação de influenciadores líderes de opinião notadamente alinhados à sua base de suporte; (3) o crescimento da circulação de desinformação a partir dos pronunciamentos do presidente; (4) a circulação de enquadramentos enganosos de informações verdadeiras como a estratégia-chave da disputa discursiva, buscando alinhar o discurso da “cura” com a desinformação.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Raquel Recuero, Universidade Federal de Pelotas, Pelotas, Rio Grande do Sul, Brasil

Doutora pelo Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Informação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Professora e pesquisadora do Centro de Letras e Comunicação Universidade Federal de Pelotas e do Programa de Pós Graduação em Comunicação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Coordenadora do MIDIARS.

Felipe Soares, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil

Doutorando pelo Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Informação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Pesquisador do MIDIARS.

Referências

AZEVEDO, S. D. R. Formação discursiva e discurso em Michel Foucault. Revista Filogênese, v. 6, n. 2, p.148-162, 2013.

BAKSHY, E. HOFMAN, J.; MASON, W. A.; WATTS, D. J. Everyone’s an Influencer: Quantifying Influence on Twitter. Proceedings of WSDM, 2011. Disponível em https://www.microsoft.com/en-us/research/wp
content/uploads/2016/02/b_h_m_w_WSDM_11.pdf. (Acesso em 03 de abril de 2020)

BARDIN, L. Análise de conteúdo (L. de A. Rego & A. Pinheiro, Trads.). Lisboa: Edições 70, 2006.

BARROS, Marcos. Tools of Legitimacy: The Case of the Petrobras Corporate Blog. Organization Studies, v. 35, n. 8, p. 1211-1230, 2014.

BASTOS, M. T.; RAIMUNDO, R. L. G.; TRAVITZKI, R. Gatekeeping Twitter: message diffusion in political hashtags. Media, Culture & Society, v.35, n.2, p. 220-270, 2013.

BENKLER, Y.; FARIS, R.; ROBERTS, H. Network Propaganda: Manipulation, disinformation, and radicalization in American politics. New York: Oxford University Press, 2018.

BRADSHAW, S. and HOWARD, P. Troops, Trolls and Troublemakers: A Global Inventory of Organized Social Media Manipulation. Report. (2017) http://comprop.oii.ox.ac.uk/wp-content/uploads/sites/89/2017/07/Troops-Trolls-and-Troublemakers.pdf (Acesso em 03 de abril de 2020).

BRUNS, Axel; HIGHFIELD, Tim. Is Habermas on Twitter? Social Media and the Public Sphere. In: BRUNS, Axel; ENLI, Gunn; SKOGERO, Eli; LARSSON, Anders Olof; CHRISTENSEN, Christian (Org.) The Routledge Companion to Social Media and Politics. New York: Routledge, 2016, (p.56-73).

BRUNS, Axel; MOE, Hallvard. Structural Layers of Communication on Twitter. In: WELLER, Katrin; BRUNS, Axel; BURGESS, Jean; MAHRT, Merja; PUSCHMANN, Cornelius (ed.). Twitter and Society. Nova York: Peter Lang Publishing, 2014 (p. 15-28).

CHA, M.; HADDADI, H.; BENEVENUTO, F.; GUMMADI, K. P. Measuring user influence on twitter: The million follower fallacy. In: Proceedings of the Fourth International AAAI Conference on Weblogs and Social Media. Washington: AAAI, p. 10-17, 2010.

CHOI, S. The Two-Step Flow of Communication in Twitter-Based Public Forums. Social Science Computer Review, 33(6), 696–711, 2015. https://doi.org/10.1177/0894439314556599
DEGENNE, A.; FORSE M., Introducing Social Networks. 1.ed. London: SAGE Publications Ltd, 1999.
DUBOIS, E.; GAFFNEY, D. The multiple facets of influence: identifying political influentials and opinion leaders on Twitter. American Behavioral Scientist, v. 58, n. 10, p. 1260-1277, 2014.

FOUCAULT, M. A arqueologia do saber. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1997.

GRUZD, A., Wellman, B., & Takhteyev, Y. Imagining Twitter as an Imagined Community. American Behavioral Scientist, 55(10), 1294 1318, 2011. https://doi.org/10.1177/0002764211409378

HABERMAS, J. Direito e democracia: entre facticidade e validade, volume II. Trad. Flávio Beno Siebeneichler. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1997.

HARDY, C.; PHILLIPS, N. No joking matter: Discursive struggle in the Canadian refugee system. Organization Studies, v. 20, n. 1, p. 1–24, 1999.

KATZ, E.; LAZARSFELD, F. P. Personal influence: the part played by people in the flow of mass communications. Glencoe, IL: The Free Press, 1955.

LAZARSFELD, P. F.; BERELSON, B.; GAUDET, H. The People’s Choice: How the Voter Makes up His Mind in a Presidential Campaign. New York: Columbia University Press, 1968.

MAIREDER, A.; AUSSERHOFER, J. Political Discourses on Twitter: Networking Topics, Objects, and People. In: WELLER, K.; BRUNS, A.; BURGESS, J.; MAHRT, M.;PUSCHMANN, C. (Org.). Twitter and Society. Nova York: Peter Lang Publishing, 2014 (p. 305-318).

MENDONÇA, R. F.; ERCAN, S. A. Deliberation and protest: strange bedfellows? Revealing the deliberative potential of 2013 protests in Turkey and Brazil, Policy Studies, 36:3, 267-282, 2015. DOI: 10.1080/01442872.2015.1065970.

PAIVA, André Luiz de; GARCIA, André Spuri; ALCÂNTARA, Valverí de Castro. Disputas Discursivas sobre Corrupção no Brasil: Uma Análise Discursivo-Crítica no Twitter. Rev. adm. contemp., v. 21, n. 5, p.627-647, 2017.

PAPAKYRIAKOPOULOS, O.; SERRANO, J. C. M.; HEGELICH, S. Political communication on social media: A tale of hyperactive users and bias in recommender systems. Online Social Networks and Media, v. 15, n.1, 2020. DOI https://doi.org/10.1016/j.osnem.2019.100058.

PROM, C. Tool Report: Social Feed Manager. MAC Newsletter, v. 45, n. 2, Article 9, 2017.

SOARES, Felipe B.; VIEGAS, Paula; SUDBRACK, Shana; RECUERO, Raquel; HÜTNNER, Luiz Ricardo. Desinformação e esfera pública no Twitter: disputas discursivas sobre o assassinato de Marielle Franco. Fronteiras: estudos midiáticos, v. 21, n. 3, p. 2-14, 2019.

SCOTT, J.; CARRINGTON, P. J. (Orgs.) The SAGE handbook of social network analysis. London: SAGE publications, 2011
TANDOC, E.; LIM, Z. & LING, R. Defining “fake news”. Digital Journalism, 6 (2), 137-153, 2018. https://doi.org/10.1080/21670811.2017.1360143

TRASEL, M.; LISBOA, S. & VINCIPROVA, G. Post-truth and trust in journalism: an analysis of credibility indicators in Brazilian venues. Brazilian Journalism Research, v. 15, n. 3, 2019. https://doi.org/10.25200/BJR.v15n3.2019.1211

WARDLE, C.; DERAKHSHAN, H. Information disorder: Toward an interdisciplinary framework for research and policy making. Report. Strasbourg: Council of Europe, 2017

WASSERMAN, S.; FAUST, K. Social Network Analysis. Cambridge: Cambridge University Press, 1994.
Publicado
10-09-2020
Como Citar
Recuero, R., & Soares, F. (2020). O Discurso Desinformativo sobre a Cura do COVID-19 no Twitter: Estudo de caso. E-Compós. https://doi.org/10.30962/ec.2127
Seção
Ahead of Print