#7desetembro

Independência, golpe ou disputa de narrativa nas redes sociais online?

Autores

  • Carla Montuori Fernandes Universidade Paulista, São Paulo, São Paulo, Brasil
  • Luiz Ademir de Oliveira Universidade Federal de Juiz de Fora, Juiz de Fora, Minas Gerais, Brasil https://orcid.org/0000-0003-3959-980X
  • Marina Botelho Universidade Paulista, São Paulo, São Paulo, Brasil
  • José Eduardo Vieira Universidade Paulista, São Paulo, São Paulo, Brasil https://orcid.org/0000-0003-2179-9694

DOI:

https://doi.org/10.30962/ec.2652

Palavras-chave:

Comunicação Política, Populismo digital, Bolsonaro, Redes sociais, Twitter

Resumo

Em Sete de Setembro de 2021, data em que se comemorou 199 anos da Independência Brasileira, o presidente Jair Bolsonaro e seus apoiadores conclamaram nas redes sociais online manifestações da população e ensaiaram um golpe institucional, utilizando, dentre outras, a hashtag #7destembro. O presente artigo busca responder quais as narrativas que circularam em torno da hashtag no Twitter e em que medida o conteúdo fortalece o caráter populista de Bolsonaro nas redes sociais. Para tanto, a pesquisa se ancora na discussão do populismo digital e recorreu às metodologias de Análise de Redes Sociais (ARS) e Análise de Conteúdo. Foram coletados na ferramenta Netlytic 10 mil tuítes em torno da #7destembro. Após o trabalho com os dados, identificou-se 12 principais clusters e a partir deles, coletou-se o texto para análise. Como resultados identificou-se a tentativa de se criar uma coreografia de ajuntamento online, que extrapolasse o discurso ideológico das telas para as ruas. No entanto, foi constatado ausência de debate nos meios virtuais, com circulação de discursos redundantes apenas dentro das próprias redes bolsonaristas. Por fim, em certa medida, apontou-se que Bolsonaro utiliza as redes com estratégias de fortalecer seu caráter populista, mesmo que nem sempre seja bem-sucedido fora delas.

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Biografia do Autor

Carla Montuori Fernandes, Universidade Paulista, São Paulo, São Paulo, Brasil

Doutora em Ciências Sociais, com ênfase em Comunicação e Política, pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e mestre em Comunicação pela Universidade Paulista (UNIP). Professora do Programa de Pós-graduação em Comunicação da Universidade Paulista (UNIP).

Luiz Ademir de Oliveira, Universidade Federal de Juiz de Fora, Juiz de Fora, Minas Gerais, Brasil

Doutor (2005) e mestre (1999) em Ciência Política (Ciência Política e Sociologia) pela Sociedade Brasileira de Instrução (SBI/IUPERJ), Mestre em Comunicação Social pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Professor do curso de Comunicação Social - Jornalismo na Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Atua como docente e pesquisador do Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social (PPGCOM) da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF).

Marina Botelho, Universidade Paulista, São Paulo, São Paulo, Brasil

Doutoranda do Programa de Pós-graduação em Comunicação da Universidade Paulista (UNIP), com bolsa da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). Mestre em Educação pela Universidade Federal de Lavras (UFLA) e Especialista em Cinema e Linguagem Audiovisual.

José Eduardo Vieira, Universidade Paulista, São Paulo, São Paulo, Brasil

Mestrando em Comunicação no Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Paulista (UNIP), com bolsa da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

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Publicado

29-08-2022

Como Citar

Fernandes, C. M., Oliveira, L. A. de, Botelho, M., & Cruz Vieira, J. E. (2022). #7desetembro: Independência, golpe ou disputa de narrativa nas redes sociais online?. E-Compós. https://doi.org/10.30962/ec.2652

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